Elsa Ligeiro é uma mulher dos livros, uma amiga de autores, uma militante da causa literária.
Nasceu em Alcains, na Beira Baixa, trabalhou no Jornal do Fundão e na Gazeta do Interior, na parte gráfica, antes de ir viver em Coimbra. Aí colaborou na Fora do Texto, ex-Centelha, onde estavam Soveral Martins, António Arnaut, Orlando de Carvalho e Maria Irene Ramalho.
Recorda, "tive uma experiência como responsável na Livraria Quarteto e, em 1993, criei a editora de poesia "A Mar Arte" que publicou, entre outros autores, Cidália Fachada, Valter Hugo Mãe, Jorge Melícias, José Guardado Moreira e António Salvado.
Em 1999, continua, "fundei a "Alma Azul" uma produtora de atividades culturais que, para além da edição, literatura portátil e revista de artes e ideias Alma Azul, dedica parte do seu trabalho à promoção da leitura e à divulgação de autores de referência da língua portuguesa em bibliotecas públicas."
No ano de 2016, decidiu mudar a sede da Alma Azul de Coimbra para Alcains para, acrescenta, "trabalhar no desenvolvimento cultural e social do interior do país."
Mas, esta mulher não desarma e, desde 2009, "continuo a lutar por um Festival ou Encontro da Língua Portuguesa, acentuando a sua diversidade cultural e trabalhando-a nos seus mais variados suportes: livros, cinema, música, teatro, fotografia... como canta Caetano Veloso em A Língua."
Refere ainda que "para quem trabalha de forma independente na edição, desde 1993, e colaborou com editores com Manuel Hermínio Monteiro (Assírio & Alvim) e André Jorge (Livros Cotovia), antes da concentração de editoras em dois grandes grupos editoriais, a publicação em Portugal alterou-se de forma radical com o aparecimento de empresas que editam todos os livros, sem qualquer crivo de qualidade literária, algo que o mercado português, já de si pouco saudável, se ressente."
Este foi a primeira parte de um trabalho que pretende dar a conhecer e valorizar esta mulher dos livros.
A segunda parte será publicada amanhã.



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